O simples recebimento de rendimentos como dividendos, juros ou ganhos com aplicações financeiras no exterior já torna obrigatória a entrega da declaração neste ano
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OCDE: IA exige mediação humana também no ambiente corporativo
Relatório sobre educação digital traz lições diretas para o uso de inteligência artificial na gestão, na contabilidade e no compliance das empresas
O avanço da inteligência artificial generativa no ambiente corporativo já é uma realidade para empresários e profissionais da contabilidade, seja na automação de processos, na análise de dados financeiros, no apoio ao cumprimento de obrigações fiscais ou na produção de relatórios gerenciais. No entanto, um alerta recente da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE reforça que o uso indiscriminado dessas tecnologias, sem mediação humana qualificada, pode gerar ganhos pontuais de produtividade, mas não necessariamente melhores decisões estratégicas – lição que vale tanto para a educação quanto para o mundo dos negócios.
No relatório Perspectivas da Educação Digital da OCDE para 2026, divulgado em janeiro, a entidade aponta que ferramentas de IA de uso geral podem melhorar o desempenho em tarefas específicas, mas tendem a não produzir ganhos sustentados quando utilizadas sem orientação. Para o empresário e para o contador, o paralelo é direto: sistemas de IA podem acelerar conciliações, projeções, classificações contábeis e análises de indicadores, mas a interpretação crítica, o julgamento profissional e a responsabilidade técnica continuam sendo insubstituíveis – especialmente em um ambiente marcado por alta complexidade regulatória, mudanças tributárias e riscos de compliance.
Terceirização Cognitiva
O estudo da OCDE também alerta para o risco de “terceirização cognitiva”, quando usuários passam a depender excessivamente das respostas prontas geradas por sistemas automatizados. No contexto empresarial, esse comportamento pode comprometer a capacidade de leitura de cenários, o entendimento dos impactos tributários de uma decisão ou a avaliação de riscos financeiros e jurídicos. Para empresas que lidam com planejamento tributário, governança corporativa e prestação de contas, a dependência acrítica da tecnologia pode representar não apenas perda de capacidade analítica, mas também aumento de exposição a passivos e contingências.
Por outro lado, o relatório reforça que a inteligência artificial pode gerar valor quando integrada a objetivos claros e a processos bem definidos. Na educação, ferramentas de IA têm melhores resultados quando estimulam o raciocínio e a autonomia dos estudantes. Nas empresas, o princípio se repete: soluções digitais e automação tendem a ser mais eficazes quando fazem parte de uma estratégia estruturada de gestão, com supervisão do contador, validação de dados, controles internos robustos e alinhamento às normas fiscais, contábeis e de proteção de dados – LGPD.
Os dados citados pela OCDE mostram que a adoção da tecnologia já é ampla: em 2024, 37% dos professores do ensino fundamental II afirmaram utilizar IA em seu trabalho, mas 72% demonstraram preocupação com impactos sobre a integridade acadêmica. No mundo corporativo, a preocupação é similar. Empresários e profissionais da contabilidade têm expressado atenção crescente a temas como segurança da informação, confiabilidade dos outputs gerados por IA, riscos de vieses algorítmicos e responsabilização por decisões tomadas com base em sistemas automatizados – especialmente em um cenário de maior fiscalização e digitalização das obrigações acessórias.
Para a OCDE, o desafio não é frear o uso da inteligência artificial, mas orientar sua adoção de forma responsável e estratégica. A tecnologia deve funcionar como ferramenta de apoio, e não como substituta do papel humano. Para o setor produtivo, isso significa reforçar a importância do contador como agente estratégico do negócio, capaz de interpretar dados, contextualizar números, antecipar riscos e orientar o empresário em decisões que impactam diretamente a sustentabilidade financeira e a conformidade legal da empresa.
Esse modelo de integração entre tecnologia e atuação humana já se consolida em diferentes setores. Na educação, plataformas que combinam recursos digitais com tutoria humana apresentam melhores resultados. No ambiente empresarial, cresce a adoção de soluções que automatizam rotinas operacionais, mas mantêm o profissional no centro da análise e da tomada de decisão. O ganho real não está apenas na velocidade dos processos, mas na qualidade das escolhas feitas a partir das informações geradas.
Segundo a OCDE, os próximos anos serão decisivos para definir modelos que conciliem inovação tecnológica e princípios pedagógicos. Para empresários e contadores, o recado é claro: o diferencial competitivo não estará apenas em adotar inteligência artificial, mas em saber integrá-la a processos de governança, compliance, gestão de riscos e estratégia de negócios, preservando o protagonismo humano em um ambiente cada vez mais digital e regulado.
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